Executiva do Carrefour é alvo de operação do MP contra fraude bilionária no ICMS

  • 26/03/2026
(Foto: Reprodução)
Suspeita de desvios dentro da Secretaria Estadual da Fazenda de SP Uma executiva da rede de supermercados Carrefour foi alvo, nesta quinta-feira (26), da Operação Fisco Paralelo, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), para investigar um esquema bilionário de fraude no ICMS envolvendo servidores da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP). Segundo a investigação, Luciene Petroni Castro Neves era responsável pela gestão fiscal e por planejamento tributário, compliance e estratégia tributária da empresa. Ela é suspeita de receber tratamento privilegiado e pagar propina a servidores. Mensagens de WhatsApp, as quais a TV Globo teve acesso, revelam que a executiva manteve contato com o auditor fiscal Artur Gomes da Silva — preso há sete meses e considerado o "cérebro" do esquema — entre julho de 2021 e agosto do ano passado. O agente fiscal auxiliava Luciene nos pedidos de ressarcimento de ICMS-ST (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – Substituição Tributária) do Carrefour. O tratamento privilegiado para a rede de supermercados era evidente, aponta a investigação. A defesa de Luciene não foi localizada até a última atualização desta reportagem. Em nota, o Grupo Carrefour Brasil informou que, "diante da investigação do Ministério Público de São Paulo nesta quinta-feira, 26 de março, determinou a imediata abertura de uma investigação interna para apuração dos fatos relatados. A empresa está integralmente à disposição do MP e da autoridade policial para que os fatos sejam brevemente apurados. O Grupo Carrefour Brasil não tolera condutas contrárias aos seus valores, mantém políticas robustas de compliance, com rigorosos processos de integridade e governança, e segue estritamente as leis vigentes". LEIA TAMBÉM: Funcionário da Fazenda de SP tinha 'manual de ocultação de bens' apreendido pelo MP em operação contra fraude no ICMS Mais de R$ 1,5 milhão em dinheiro e relógios de luxo são apreendidos em operação contra servidores da Fazenda de SP Luciene Petroni Castro Neves, executiva do Carrefour, foi alvo da Operação Fisco Paralelo nesta quinta (26). Reprodução/Redes sociais Operação Fisco Paralelo Segundo as investigações, o esquema beneficiava empresas que tinham direito a receber créditos de ICMS — valores de impostos estaduais que podem ser devolvidos pelo governo após um processo considerado rigoroso e demorado. De acordo com o apurado, fiscais da Receita Estadual se uniram a um grupo que criava um “atalho” ilegal para furar a fila e acelerar a liberação desses recursos. Esse núcleo ficava responsável por preparar a documentação e utilizar senhas de servidores públicos para aprovar pagamentos milionários. Em troca, as empresas beneficiadas pagavam propina, calculada como uma espécie de comissão sobre os valores liberados. Ao todo, a operação cumpriu, nesta quinta-feira, 22 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva nas cidades de São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos. Entre os alvos estão um condomínio de luxo em Tamboré e endereços no bairro de Moema, na capital paulista, onde há quatro alvos. Segundo as investigações, 20 investigados têm ligação com a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP). Durante a operação, o agente fiscal Fernando Alves dos Santos foi preso preventivamente. Segundo as investigações, ele ocuparia uma posição central no esquema, com funções de comando, direcionando procedimentos administrativos, interferindo na distribuição fiscal e recebendo propina de empresas interessadas. Fernando se recusou a fornecer senhas de acesso a valores mantidos em ativos digitais, o que impediu os agentes de localizar e bloquear o dinheiro. Ainda segundo a investigação, a atitude foi intencional e teve como objetivo dificultar a ação da Justiça. A defesa de Fernando não foi localizada pela TV Globo. Apreensão de dinheiro vivo em alvos da 'Operação Fisco Paralelo', do Ministério Público de São Paulo, que tem funcionários do governo de São Paulo como alvos. Reprodução/TV Globo Na casa dos alvos da operação, a Polícia Militar e os promotores do Gedec apreenderam muito dinheiro em espécie e relógios de luxo que somam mais de R$ 1,5 milhão. De acordo com o Ministério Público, as bsucas foram realizadas em endereços vinculados a servidores lotados em cinco diferentes órgãos da Secretaria da Fazenda, da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos): Delegacia Regional Tributária da Capital II (Lapa); Delegacia Regional Tributária da Capital III (Butantã); Delegacia Regional Tributária 12 (ABCD); Delegacia Regional Tributária 14 (Osasco); Diretoria de Fiscalização (DIFIS). Procurada, a Sefaz-SP afirmou que colabora com todas as investigações e que atua no combate à sonegação, à lavagem de dinheiro e a crimes contra a ordem tributária, por meio do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA-SP). "A pasta reafirma seu compromisso com a ética, a justiça fiscal e a apuração rigorosa de eventuais irregularidades, nos termos da lei. Atualmente, estão em andamento 33 procedimentos administrativos para apurar possíveis irregularidades envolvendo servidores, que podem resultar em sanções, inclusive demissão", disse em nota. Apreensão de dinheiro vivo e relógios com alvos da 'Operação Fisco Paralelo', do Ministério Público de São Paulo, que tem funcionários do governo de São Paulo como alvos. Reprodução Operação Ícaro Essa nova operação do MP paulista é um desdobramento da Operação Ícaro, que investigou desvios de créditos envolvendo o caso Ultrafarma/Fast Shop, em agosto de 2025. A nova fase teve início após o Ministério Público obter novas informações sobre novas irregularidades dentro da Secretaria da Fazenda do governo paulista. Na Operação Ícaro, os promotores do Gedec partiram do fiscal Artur Gomes da Silva Neto para chegar ao núcleo técnico da organização, coordenado por Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, que atuava como contadora do grupo. A partir do celular dela, a investigação foi ampliada. Maria Herminia já está presa preventivamente em decorrência do esquema com o grupo Nortene, investigado na Operação Mágico de Oz, outra etapa da Operação Ícaro que investigou fraudes dentro da mesma secretaria. Dono da Ultrafarma é preso em operação em São Paulo Os promotores identificaram elementos que demonstram a captura de diversos órgãos da Secretaria Estadual da Fazenda de SP. Os alvos da investigação ocupavam cargos como agente fiscal de renda, inspetor fiscal, coordenador e delegado regional tributário, distribuídos em unidades como as delegacias regionais tributárias da Lapa, do Butantã, do ABCD e de Osasco, na Grande SP. Segundo o MP, a operação desta quinta (26) conta com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do CyberGaeco, do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira) e da Polícia Militar. O objetivo é desarticular a organização criminosa e coletar documentos, mídias e outros elementos que contribuam para o avanço das investigações e a completa elucidação dos fatos. CGE e MP de São Paulo fazem reunião sobre o caso Ultrafarma Maria Hermínia de Jesus Segundo o MP, o avanço da Operação Ícaro foi possível justamente em virtude da apreensão do celular da contadora Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, que já tinha sido alvo da operação contra a Fastshop e a Ultrafarma. No curso das investigações, os promotores descobriram que, na verdade, ela tinha um papel muito mais importante do que se imaginava até aqui na organização criminosa liderada pelo fiscal Artur Gomes da Silva Neto. O MP diz que ela é o elo com a ampla rede de fiscais corruptos da Fazenda - do Fisco estadual - alvos da nova operação desta quinta (26). Dos 20 dos 22 alvos de mandados de busca da 'Operação Fisco Paralelo' são ligados a esses fiscais corruptos. Por esse motivo, tantas Delegacias Regionais Tributárias são alvos do MP. Os crimes investigados são, dentro outros, organização criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva. Não há cálculo fechado ainda do prejuízo estimado. Mas é imenso, na conta dos promotores paulistas. O esquema é maior do que se vislumbrou lá na Ícaro, onde se falava em desvios na casa de R$ 1 bilhão. Artur Gomes da Silva Neto é exonerado do cargo de auditor fiscal Reprodução

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/26/executiva-do-carrefour-e-alvo-de-operacao-do-mp-contra-fraude-bilionaria-no-icms.ghtml


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